Junho! mês do meio ambiente, mas o que a estética tem a ver com o meio ambiente?
Os impactos ambientais silenciosos da indústria da beleza e dos serviços estéticos
A estética deixou de ser apenas um segmento ligado à beleza e passou a ocupar posição estratégica na economia mundial. O problema é que, junto com o crescimento acelerado do setor, cresceram também os impactos ambientais associados aos procedimentos estéticos, cosméticos, embalagens plásticas e geração de resíduos.
Segundo revisão publicada na revista científica Polymers em 2022, de autoria de Anelise Leal Vieira Cubas, Ritanara Tayane Bianchet, Izamara Mariana Souza dos Reis e Isabel C. Gouveia, a indústria cosmética está entre os mercados de crescimento mais acelerado do mundo e possui forte dependência de plástico em embalagens e formulações químicas.
O crescimento desenfreado da estética moderna trouxe um efeito colateral importante: aumento significativo da produção de resíduos, consumo excessivo de descartáveis e maior liberação de contaminantes ambientais.
A estética produz resíduos que impactam diretamente o meio ambiente
Clínicas estéticas, consultórios e serviços de beleza geram diariamente resíduos potencialmente contaminantes, incluindo:
● agulhas;
● seringas;
● gazes;
● luvas;
● máscaras;
● embalagens plásticas;
● ampolas de vidro;
● resíduos químicos;
● cosméticos vencidos;
● materiais perfurocortantes.
Muitos desses resíduos possuem classificação semelhante aos resíduos de serviços de saúde e exigem gerenciamento adequado.
O estudo “Resíduos de serviços de saúde: uma análise sobre a geração de resíduos na área de estética e cosmética”, publicado no Brazilian Journal of Development em 2022 por Vera Lucia Pereira dos Santos, Rita de Cássia Alberini, Rodrigo de Cássio da Silva, Diogo Siqueira da Silva e Rodrigo Berté, destaca que os serviços de estética produzem resíduos que exigem aplicação obrigatória do PGRSS, incluindo segregação, acondicionamento, armazenamento, transporte e destinação final adequada.
Outro estudo publicado na revista Estudo & Debate em 2023, conduzido por Mônica Manica Fraporti, Patricia Inês Schwantz, Robson Evaldo Gehlen Bohrer e Daniela Mueller de Lara, reforça que o crescimento acelerado do setor da beleza trouxe aumento no volume de resíduos e descarte inadequado em clínicas estéticas.
O problema invisível dos microplásticos nos cosméticos
Um dos maiores problemas ambientais relacionados à estética está nos microplásticos presentes em cosméticos e produtos de higiene pessoal.
Esses microplásticos são utilizados em:
● esfoliantes;
● maquiagens;
● sabonetes;
● shampoos;
● cremes;
● produtos de efeito peeling.
Após o uso, essas partículas seguem para o esgoto e muitas não conseguem ser removidas completamente nas estações de tratamento, alcançando rios, mares e ecossistemas aquáticos.
O artigo “Microplásticos: uso na indústria cosmética e impactos no ambiente aquático”, publicado na revista Química Nova em 2022 por Julia Gabriela Matos Vargas, Vinicius Bueno da Silva, Lílian Karla de Oliveira e Eduardo Ferreira Molina, destaca que os microplásticos possuem menos de 5 mm, não se degradam facilmente e representam risco crescente à vida aquática e à cadeia alimentar humana.
Os autores apontam ainda que esses contaminantes podem atuar como transportadores de substâncias tóxicas no ambiente aquático, aumentando os riscos ambientais e sanitários.
A cultura do descartável aumentou o impacto ambiental da estética
A biossegurança na estética ampliou o uso de materiais descartáveis. Embora muitos sejam fundamentais para prevenção de infecção, o consumo excessivo sem planejamento sustentável gera enorme volume de resíduos.
Hoje, procedimentos estéticos minimamente invasivos dependem de:
● embalagens individuais;
● campos descartáveis;
● ponteiras;
● seringas;
● aplicadores;
● materiais plásticos de uso único.
Esse modelo elevou drasticamente a produção de resíduos sólidos.
Pesquisas internacionais já discutem o impacto da chamada “beleza descartável”, associando parte do mercado estético ao consumo acelerado e ao excesso de plástico presente em embalagens e dispositivos cosméticos.
O descarte inadequado gera riscos ambientais e sanitários
O descarte incorreto de resíduos estéticos pode gerar:
● contaminação do solo;
● contaminação da água;
● disseminação de agentes biológicos;
● exposição ocupacional;
● poluição química;
● aumento da carga ambiental de microplásticos.
Além disso, resíduos químicos presentes em cosméticos e saneantes podem persistir no ambiente por longos períodos.
Estudos internacionais já discutem os impactos ambientais de contaminantes emergentes presentes em produtos de cuidados pessoais, especialmente compostos químicos que chegam aos sistemas hídricos e apresentam difícil degradação ambiental.
Sustentabilidade deixou de ser tendência e virou obrigação
O consumidor moderno passou a exigir:
● responsabilidade ambiental;
● embalagens recicláveis;
● redução do plástico;
● cosméticos biodegradáveis;
● posicionamento ESG;
● práticas sustentáveis.
A própria indústria cosmética internacional já discute:
● economia circular;
● logística reversa;
● substituição de microplásticos;
● inovação em embalagens sustentáveis;
● redução de resíduos.
O futuro da estética será cada vez mais regulado por critérios ambientais, sanitários e sustentáveis.
O papel do PGRSS dentro da estética
Muitos profissionais ainda acreditam que o PGRSS é obrigatório apenas para hospitais. Isso não é verdade.
Clínicas estéticas, consultórios e serviços que geram resíduos de serviços de saúde precisam implementar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde eficiente e compatível com sua realidade operacional.
O PGRSS não é apenas uma exigência documental. Ele representa:
● biossegurança;
● proteção ambiental;
● prevenção de acidentes;
● redução de riscos sanitários;
● conformidade legal;
● responsabilidade ambiental.
Quando não existe gerenciamento correto dos resíduos, o impacto ambiental aumenta silenciosamente todos os dias.
E é justamente sobre isso que precisamos falar com mais profundidade.
Convite especial: Masterclass gratuita ao vivo
No mês do meio ambiente, o consultor sanitário Clinton Fábio realizará uma Masterclass gratuita, online e ao vivo sobre:
“O impacto do PGRSS no meio ambiente”
Durante o encontro serão abordados:
● os impactos ambientais dos resíduos de serviços de saúde;
● os erros mais comuns no descarte;
● como elaborar um PGRSS na prática;
● exigências sanitárias e ambientais;
● estratégias sustentáveis aplicadas aos serviços de saúde e estética.
O evento é cadastrado oficialmente na campanha mundial do meio ambiente e reunirá profissionais da saúde, estética e gestão sanitária que desejam atuar com mais responsabilidade ambiental e segurança técnica.
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Referências científicas
● SANTOS, Vera Lucia Pereira dos et al. Resíduos de serviços de saúde: uma análise sobre a geração de resíduos na área de estética e cosmética. Brazilian Journal of Development, 2022.
● FRAPORTI, Mônica Manica et al. Resíduos de serviços de saúde: um estudo da prática na área de estética e cosmética. Revista Estudo & Debate, 2023.
● CUBAS, Anelise Leal Vieira et al. Plastics and Microplastic in the Cosmetic Industry: Aggregating Sustainable Actions Aimed at Alignment and Interaction with UN Sustainable Development Goals. Polymers, 2022.
● VARGAS, Julia Gabriela Matos et al. Microplásticos: uso na indústria cosmética e impactos no ambiente aquático. Química Nova, 2022.
● MAGRO, Catia et al. Emerging organic contaminants in wastewater: Understanding electrochemical reactors for triclosan and its by-products degradation, 2020.